Cerca de 300 professores e estudantes de Educação Física da rede municipal de ensino participaram, nesta quarta-feira (23/8), do III Workshop de Educação Física Escolar. Durante todo o dia, no campus Jardim Botânico da Universidade Federal do Paraná, eles lotaram três salas para apresentações simultâneas de 50 projetos bem-sucedidos implantados em escolas da Prefeitura.

“O objetivo, que sintetiza o espírito da Educação Física escolar em Curitiba, é oferecer atividades que mesclem movimento com criatividade e ampliação do repertório cultural”, disse Fabíola Berwanger, da coordenação de Educação Física da Secretaria Municipal da Educação. Ela destaca ainda a importância da aproximação entre a academia e os servidores públicos municipais. “Trouxemos práticas diferenciadas que são feitas cotidianamente nas escolas de Curitiba”, completa.

As justas medievais, torneios disputados por cavaleiros da Idade Média e adaptados pelo professor Cássio Leandro Muhe Consentino para os alunos do Centro de Educação Integral Escola Municipal Tereza Matsumoto, no Hauer, são um exemplo de iniciativa que acabou na vitrine do workshop. Os jogos em si foram a última fase do projeto, inspirado pela séria Game of Thrones.

“Primeiro fizemos juntos (professor e alunos) um trabalho de contextualização histórica sobre o período medieval, seus mitos e verdades”, observou o professor, que exibiu um documentário para os estudantes. “Depois partimos para a confecção dos itens necessários para as lutas e, então, iniciamos as disputas”, completa.

Cabos de vassoura fizeram as vezes dos cavalos, enquanto colchonetes amarrados aos corpos dos “guerreiros” formaram os escudos e suas armas eram flutuadores de piscina. Por meio das regras do jogo, garante Cássio, que tem cinco anos de Prefeitura, a meninada teve uma ideia sobre o que acontecia naquele período histórico.

Pensar e jogar

Caroline Dias Brito está na rede municipal de ensino desde 2014 e dá aulas nas escolas Pró-Morar Barigui e Olívio Soares Sabóia. Foi na segunda escola que começou a oferecer a prática de um esporte contemporâneo, mas distante da maioria da população: o golfe. “Fiz o curso oferecido pela Federação Paranaense de Golfe e tive uma das minhas escolas incluídas na iniciativa, com o repasse de um kit de soft golfe”, conta.

Com isso, Caroline já conseguiu apresentar o esporte a 160 alunos que, sem essa oportunidade, dificilmente teriam acesso a ele. “O material é atrativo, colorido, lúdico e todos querem jogar”, conta.

Há 11 anos na Prefeitura, Fabiano Rodrigues de Lima apresentou três projetos testados e aprovados pela criançada das escolas municipais Pró-Morar Barigui e Dom Bosco, também na CIC. Além de ouvir os alunos sobre que tipo de atividades eles querem fazer, o professor inventa jogos diferentes. Foi assim que, além de praticar skate com os estudantes, criou o champcross (a corrida de tampinhas de metal de garrafas de bebidas, impulsionadas com os dedos) e o planador de isopor (aeronave feita com embalagens de alimentos e grampos de roupa de madeira) – ambos customizados pelas crianças.

De olho no mercado da Educação Física escolar, os estudantes do curso da UFPR Washington Luís Cavalli e Patrícia Fátima Giendra assistiram a várias apresentações. “É um aprendizado diferente da faculdade porque entramos em contato com quem está nesse universo da Educação Física para crianças”, disse Washington, que ficou impressionado com as possibilidades que têm os professores de incentivar os alunos à participação nas atividades.

“Sei como isso faz falta porque sempre fui aluno de escola pública (em Colombo, Região Metropolitana) e faltou isso pra mim”, disse ele, que está terminando o curso neste ano.