Pensar coletivo para um novo ciclo

Ágide Meneguette

2016 foi um ano economicamente ruim. As finanças em frangalhos dos governos em todas as esferas — federal, estadual e municipal -, a base econômica ressentida pelos desmandos do bloco que estava no poder e mais de 12 milhões de desempregados não deixam dúvida. São fatos incontestáveis.

Mas, num olhar mais apurado, foi um ano histórico, com reflexos positivos para o futuro do país. Tivemos que tomar o remédio amargo, limpar a casa, mexer com problemas de difícil solução que deixaram a ferida exposta. Mas, esse conjunto foi importante para iniciar uma nova etapa da história do Brasil com a retomada do crescimento consistente e saudável.

O impeachment mostrou quanto o nosso país estava atolado no mar de lama da corrupção. Ao mesmo tempo, permitiu reforçar que somos uma democracia capaz de eleger um presidente e, se preciso, também depô-lo. A Lava Jato, que sobreviveu a todas as tentativas de demovê-la, está fazendo uma limpeza ética e moral na política. A operação tirou da obscuridade as propinas e os enriquecimentos ilícitos recorrentes no país.

Esses dois acontecimentos que alimentaram as crises política e econômica de 2016 elevam a nossa expectativa para o próximo ano. É natural que o encerramento de um ciclo traga a renovação das esperanças. Desejamos que 2017 seja de desenvolvimento e crescimento marcados por um país ético e descente.

Porém, não podemos nos iludir. Não há mágica. A manhã do primeiro domingo de janeiro não levará embora todos os nossos pesadelos. Os prejuízos causados nos últimos anos não serão recuperados de uma hora para outra.

Horizonte melhor depende de decisões políticas, como a aprovação pelo Senado da PEC 241, que estabelece um teto para os gastos do governo durante 20 anos, corrigido anualmente pela inflação do ano anterior. Significa pôr ordem na casa, evitar que o governo gaste mais do que arrecada e ainda que sobre recurso para direcionar aos projetos de educação, saúde e infraestrutura. É um passo corajoso para um país viciado em gastança.

E a agenda segue com as reformas da previdência, a trabalhista, da educação, da gestão da saúde, tributária e, principalmente, política, para dar fim a corrupção sistêmica dos últimos anos. Mudanças que exigem que a sociedade também se disponha a mudar. Precisamos aprender a pensar no coletivo. Deixar de achar que enquanto o problema é do vizinho não nos afeta. Afeta! Por isso continuaremos nos envolve em demandas que não são apenas do agronegócio, mas da sociedade.

Se estamos prevendo o início de novos tempos, o agronegócio continuará tendo grande participação, dando sua importante contribuição para que o país consiga cumprir suas metas. Os nossos desafios continuam os mesmos, como a falta de uma política que incentive a produção e a infraestrutura defasada para o escoamento da safra. Esperamos que, num ano de normalidade, possamos começar a trabalhá-los.

2017 carrega toda a nossa esperança de que o vento forte tenha soprado e passado, que a tempestade tenha se acalmado e tenhamos pela frente um ano de calmaria.

Ágide Meneguette é presidente da Faep

(foto: Faep)

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